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A importância de Benjamin S. Bloom para educação

A importância de Benjamin S. Bloom para educação

Até a década de 1940, o planejamento curricular e a comunicação na área educacional eram difíceis nos Estados Unidos da América, em certa medida, pela falta de padronização conceitual da terminologia adotada pelos educadores gestores educacionais. O planejamento de ensino, em escolas e instituições de ensino superior, divergia significativamente quanto ao método e conceito etimológico da terminologia comumente utilizada na área. Outro aspecto importante, era a falta de clareza quanto a definição dos objetivos de aprendizagem. As atividades de ensino ocorriam sem a transparência e uma definição clara dos objetivos a serem alcançados pelos professores e estudantes, tornando o ensino algo subjetivo e, em alguns casos, baseado em “achismos”. – De certa forma, quando observamos a estrutura organizacional (ou a falta de estrutura) da educação brasileira dos dias de hoje, a realidade americana da época parece atual para nós.

Assim, no final da década de 1940 e início dos anos 1950, houve um grande debate, visando melhorar a comunicação em torno do planejamento educacional no âmbito curricular e das avaliações de estudantes. Ocorreram muitas conferências nesse período, aumentando a efervescência do debate educacional da época.

Foi um período marcado pela transição de uma sociedade pós-guerra, que se caracterizou pelo aumento do formalismo educacional, pela forte mudança das necessidades da sociedade e, consequentemente, dos objetivos educacionais. Naquele momento, era preciso ampliar a capacidade de estruturar e padronizar os processos de ensino-aprendizagem, sistematizando as práticas pedagógicas, com o delineamento de novos objetivos instrucionais que pudessem atender os anseios da sociedade, possibilitando a gestão dos processos de ensino e análise da evolução dos resultados educacionais.

Nesse contexto, a definição, formalização e ordenamento dos objetivos de aprendizagem (ou objetivos instrucionais) tornou-se uma necessidade premente das instituições de ensino daquela época.  Diante disso, pode-se afirmar, que esse foi um período fértil para evolução e estruturação da educação formal americana. 

A Taxonomia de Bloom surgiu como resultado de conferências educacionais realizadas entre 1949 e 1953 (nos EUA), nas quais, o psicólogo educacional Benjamin S. Bloom (formado pela Pennsylvania State University e pela University of Chicago), presidiu o comitê de educadores que desenvolveu a taxonomia. Tais conferências tinham como objetivo principal, estruturar e ordenar os objetivos educacionais de aprendizagem. A taxonomia surgiu como resultante desse trabalho de ordenamento de objetivos. Assim, como materialização do resultado desse trabalho, foi publicado um livro (em 1956), que tratava da hierarquia dos processos gerais de aprendizagem.

Capa de dois livros publicados por Bloom. Taxonomy of educational objectives I e II.

Tal livro foi editado e publicado por Bloom, e intitulado: Taxonomy of educational objectives: The classification of educational goals. Handbook I: Cognitive domain. A segunda parte do trabalho foi publicada em 1964:Handbook II: Affective domain. Contudo, a terceira parte do trabalho, referente ao domínio psicomotor, nunca foi publicada.

A taxonomia do domínio cognitivo é a mais conhecida entre os professores, principalmente no Brasil. Contudo, os pesquisadores que desenvolveram o trabalho, tinham uma visão holística do processo de aprendizado. Eles buscaram o desenvolvimento de estudos que englobassem as dimensões cognitiva, afetiva-emocional e psicomotora. O trabalho de Bloom e seus colaboradores foi abrangente e aberto a diversas correntes de pensamento da área educacional. Dessa forma, não podemos nos limitar a uma visão reducionista do trabalho desses pesquisadores, focada meramente no ordenamento e estruturação dos objetivos de aprendizagem cognitivos.

Talvez, Bloom tenha sido um dos autores mais incompreendidos pela elite pedagógica e educacional brasileira. Em alguns círculos acadêmicos, o seu trabalho é extremamente criticado. A maiorias das críticas são injustificáveis, já que grande parte dos críticos sequer leram o trabalho de Bloom e seus colaboradores. Muitos resumem a sua obra, de forma simplista, a planificação dos objetivos de aprendizagem, relegando seu trabalho, de forma preconceituosa, a algo intelectualmente inferior e/ou menos abrangente.

Benjamin Bloom foi um dos mais importantes autores da área educacional do século XX, e sua obra continua atual. As suas principais publicações foram: Stability and Change in Human Characteristics (1964); Human Characteristics and School Learning (1976); Taxonomy of Educational Objectives (1956); Handbook on the Formative and Summative Evaluation of Student Learning (1971). Benjamim Bloom escreveu alguns livros e artigos em parceria com J. H. Block, um outro grande autor da área educacional. As principais obras de J. H. Block foram: Mastery Learning: Theory and Practice (1971); Schools, Society and Mastery Learning (1974); Mastery Learning in Classroom Instruction (1975).

É inegável que a taxonomia do domínio cognitivo se popularizou e se tornou uma grande ferramenta de estruturação de conteúdos, de avaliações e de outros processos de ensino. Muitos educadores utilizam a taxonomia de forma intuitiva, mesmo sem nunca ter tido contato com a obra de Bloom. Isso, de certa forma, demonstra que a lógica e a simplicidade da taxonomia se aproximam da realidade educacional vivida por estudantes e professores. A taxonomia de Bloom tornou-se a pedra angular da estruturação do processo ensino-aprendizagem, alicerçando a educação contemporânea. A simplicidade da taxonomia contribuiu fortemente para sua popularização entre os educadores.

Contudo, no Brasil, a aplicação da taxonomia continua evoluindo a passos lentos.

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