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Avaliar a evolução do estudante deve ser o foco de escolas e faculdades

Algumas instituições de ensino não conseguem responder às seguintes perguntas. Outras instituições sequer reconhecem tais perguntas como importantes. O que pode estar acontecendo com nosso sistema educacional?

É possível avaliar se o estudante está evoluindo, sem articular os resultados das avaliações?
As lacunas de aprendizagem podem ser identificadas? Como?
Quais são os grupos de professores que necessitam de maior atenção da equipe pedagógica?

A nossa cultura educacional é focada no resultado episódico da avaliação de estudantes. Isso é extremamente danoso à educação brasileira. Os resultados obtidos na aplicação de uma ferramenta avaliativa pouco nos falam sobre a evolução do estudante ou sobre a qualidade do ensino. É preciso ter em mente que a avaliação é um processo que visa aferir as mudanças do estudante no decorrer do processo de ensino.

“ A avaliação é um processo sistemático de coleta de evidências, com fim de determinar, se de fato, ocorreram modificações nos alunos, bem como determinar o grau dessas modificações em cada um deles.”

Benjamin S. Bloom (1971)

Essa valorização exacerbada dos resultados extemporâneos da avaliação de estudantes nos leva a uma análise superficial dos resultados educacionais. O que é mais importante: a nota isolada de uma prova ou aferir se o estudante melhorou seu desempenho comparativamente aos resultados de avaliações anteriores?

O resultado isolado de uma avaliação é apenas uma “fotografia” do estudante, uma imagem isolada, que não tem muito valor se não for analisada dentro de um conjunto de resultados articulados, obtidos em diferentes momentos de avaliação. É preciso verificar continuamente o nível de aprendizagem do estudante (sem dúvida!) mas também é preciso sistematizar a avaliação, com intuito de aferir a evolução educacional e não somente o resultado factual da avaliação no tempo presente.

Fala-se muito em avaliação continuada, mas, na prática, o quadro encontrado não é eficiente. Na maioria dos casos analisados pela Qstione a avaliação é dita contínua, porém, costuma ser desarticulada e os resultados dos estudantes são muitas vezes analisados de forma isolada. Esse é um erro fatal para escolas e faculdades, pois tal procedimento limita a avaliação aos resultados obtidos separadamente em cada teste ou prova. Dessa forma, não é possível correlacionar e articular tais resultados com o cômputo das ferramentas avaliativas já realizadas pelos estudantes em diferentes momentos.

Muitas escolas e faculdades não sabem em que medida os estudantes evoluíram durante o curso após terminá-lo. Isso é gravíssimo!

Metaforicamente, a principal matéria-prima de uma escola ou faculdade é o conhecimento. Sem conhecimento não há ensino-aprendizagem. Assim, o resultado de uma prova ou avaliação cognitiva é a aferição momentânea da aquisição de um dado conhecimento pelo estudante. Seguindo essa lógica, a avaliação busca aferir a aquisição dessa matéria-prima pelos estudantes, e este é o objetivo principal de uma instituição de ensino. Obviamente, a instituição busca viabilizar ao máximo essa aquisição. Portanto, podemos concluir que as ferramentas avaliativas atuam como marcadores estatísticos, delineando a evolução dos estudantes quanto a aquisição desses conhecimentos.

Essa visão científica da avaliação não é compartilhada por muitos educadores brasileiros, que, em muitos casos, preferem o norteamento pedagógico baseado em “achismos” dificilmente quantificáveis e/ou aferíveis. Dessa forma, mergulha-se o processo educacional em um mar de incertezas avaliativas. Isso acaba por reduzir significativamente a capacidade de gestão de qualquer instituição de ensino. Aumenta-se o desperdício de recursos e o custo da educação cresce – em detrimento da eficiência pedagógica.

Seria impossível esgotar esse tema em apenas um artigo, pois a avaliação de estudantes é uma das áreas mais complexas da educação. Vamos então dar algumas dicas. São pontos importantes que podem auxiliar os gestores educacionais nas decisões relacionadas a estruturação do processo de avaliação de estudantes. Seguem algumas orientações:

DICA 01: Todas as ferramentas avaliativas (provas, testes, práticas, avaliações processuais, etc.) devem estar indexadas a uma matriz de referência (conhecimentos, habilidades e atitudes). Sem indexação, não é possível aferir a evolução do aprendizado do estudante.
DICA 02: Cada ferramenta avaliativa deve estar ancorada em bases metodológicas descritas na literatura especializada. A padronização dos instrumentos de avaliação garante a qualidade dos dados gerados nas avaliações.
DICA 03: A avaliação deve ser continuada, cumulativa e sistêmica, não sendo episódica.
DICA 04: O processo de avaliação deve ser considerado uma sistemática de coleta de informações ou evidências.
DICA 05: A avaliação deve integrar um sistema do qual fazem parte também os procedimentos de instrução e os objetivos de aprendizagem.
DICA 06: A avaliação resulta em tomada de decisões, inclusive em mudanças no próprio sistema de avaliação vigente.

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