CATs – Classroom Assessment Techniques: aprenda um pouco sobre avaliação em sala de aula.

Escrevo sobre avaliação de estudantes há mais uma década, mas a cada artigo escrito percebo que esse é um tema que pode ser inesgotável. Decerto, na educação, poucas coisas podem ser consideradas tão complexas quanto a avaliação de estudantes, pois trata-se de um processo em que a análise de dados envolve muitas variáveis e métodos, e nem todos os resultados são matematicamente tangíveis. Além disso, a coleta de dados e evidências, por meio das ferramentas avaliativas, é sempre um grande desafio (Leia mais em: Como o aprendizado pode ser evidenciado na avaliação).

Em suma, esse é o contexto teórico e científico dos processos de avaliação de estudantes — muitos obstáculos, trabalho e desafio. Para aumentar a complexidade, some a esta equação o frequente despreparo dos professores e gestores educacionais sobre esse tema.

Por isso, eu não me canso de escrever e falar sobre avaliação de estudantes, pois, mediante tantas variáveis, nunca é demais debater sobre o tema.

O presente artigo trata de um tema pouco discutido nos meios acadêmicos brasileiros — CATs. Trata-se de um conjunto de técnicas de avaliação, aplicáveis em sala de aula, que buscam aferir o aprendizado do estudante na própria aula. Infelizmente, temos pouca literatura em língua portuguesa sobre o tema, sendo esse, então, mais um motivo para escrevermos sobre CATs.

A aplicação de CATs objetiva avaliar o nível de compreensão da aula, palestra ou quaisquer outros métodos de ensino, pelos estudantes. A ideia central da utilização de CATs é obter feedbacks rápidos sobre eficiência do processo de ensino trabalhado em sala de aula. Dessa forma, mediante os resultados obtidos por tais ferramentas avaliativas, os professores podem calibrar a aplicação de técnicas didático-pedagógicas de ensino em tempo real.

A aplicação de CATs consiste no uso de ferramentas relativamente simples e na possibilidade de correção de rumos do processo de ensino em tempo real; algo que é muito atraente para professores e pedagogos. No entanto a implementação dessas ferramentas, de forma sistematizada, visando uma análise objetiva dos dados obtidos com a aplicação de tais recursos, requer a aplicação de tecnologias que facilitem o processo de avaliação e um alto nível de organização pedagógica. Tudo que, ironicamente, em boa parte dos casos, falta às instituições de ensino brasileiras.

Mas apesar das eventuais dificuldades de implementação de CATs em algumas instituições de ensino, a minha intenção não é desmotiva-los, muito pelo contrário!

Então vamos entender como essas técnicas podem auxiliar na avaliação do processo ensino-aprendizagem.

Alguns tipos de CATs

Minute paper test

A ideia deste teste é verificar quais são as percepções do aluno quanto ao aprendizado na aula. Assim o professor faz basicamente dois questionamentos: (1) Qual foi a coisa mais importante aprendida na aula?; (2) Qual pergunta importante permanece sem resposta?

Background knowledge probe

É um questionário curto, aplicado no início de uma disciplina, curso ou antes de iniciar uma nova unidade programática, com intuito de fazer um diagnóstico acerca dos conhecimentos prévios dos estudantes.

Muddiest point

Este teste baseia-se em um questionamento muito simples e objetivo: Qual foi o ponto mais confuso da aula? O objetivo é detectar as fragilidades da aula de acordo com a percepção dos estudantes.

Whats the principle?

É um teste útil quando a disciplina envolve a resolução de problemas. Neste CAT, o professor fornece alguns problemas e solicita para que os alunos indiquem quais devem ser os princípios para resolução de cada problema.

Feature matrix

Neste tipo de CAT, o professor deve preparar uma matriz (tabela) com três colunas e, no topo, em duas colunas distintas, colocar dois conceitos diferentes com algumas similaridades que possam gerar algum tipo de dúvida ou confusão. Na terceira coluna, lista-se um conjunto de características, fora de ordem, referentes ao dois conceitos. A ideia do teste é fazer como que os alunos, com suporte de algum material didático, identifiquem as características de cada conceito completando as colunas. Dessa forma é possível identificar quais características geram alguma confusão ou dúvida no entendimento dos estudantes.

Existem diversos outros tipos de CATs que não foram mencionados neste texto, porém a lógica desse modelo de avaliação é sempre a mesma — avaliar os processos de ensino, por meio da coleta de informações dos estudantes. Sendo assim, a aplicação de CATs permite o estabelecimento de um canal avaliativo, que considera, fortemente, as percepções dos estudantes sobre as aulas e outros procedimentos de ensino. São ferramentas que dão voz ao estudante dentro do processo ensino-aprendizagem, mas o ganho mais perceptível reside na possibilidade de identificar falhas didático-pedagógicas, em tempo real, pelos professores.

Como a tecnologia pode ajudar na implementação de CATs?

O uso de tecnologias como a plataforma Qstione podem auxiliar os professores na automação e sistematização da aplicação de CATs, bem como no processamento e análise dos resultados obtidos nos testes. Dessa forma, os testes podem ser pré-formatados e aplicados sistematicamente nas aulas e seus resultados analisados automaticamente, respeitando modelo mais adequado a cada tipo de conteúdo e objetivo de aprendizagem trabalhados nas aulas.

Você ou sua instituição de ensino já utiliza CATs?

Até o próximo artigo!

Referências

https://www.uky.edu/celt/50-classroom-assessment-techniques-cats

https://poorvucenter.yale.edu/Classroom-Assessment-Techniques