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Como a avaliação de estudantes impacta a gestão escolar?

A educação é um bem inalienável e não é passível de confisco ou de perda de quem o detém. Soma-se a isso o fato, já comprovado em diversos estudos, de que o nível educacional do indivíduo é um fator determinante do sucesso profissional, tornando a melhoria educacional uma condição essencial para evolução intelectual e humanística das pessoas.

Em um mundo tão fluido, e às vezes volátil, o mercado de trabalho muda rápido e constantemente, assim, as pessoas precisam estar atentas a essas mudanças, sendo capazes de adquirir as habilidades necessárias para surfar sobre as “ondas do mercado de trabalho”. Por isso, o setor educacional vem crescendo tanto nos últimos anos, pois, trata-se de uma necessidade de primeira linha do indivíduo.

Tim Cook em frente a logomarca da Apple

Tim Cook, CEO da Apple, declarou que, em 2018, metade dos contratados da Apple foram indivíduos sem diploma formal.

Atualmente, empresas como a Apple não buscam apenas a mera formalidade do ensino. Elas querem algo muito mais valioso, pessoas competentes – indivíduos que são capazes de mobilizar determinados conhecimentos, habilidades e atitudes com o objetivo de realizar suas tarefas profissionais de forma simples e criativa. Os certificados e diplomas, em muitos casos, são apenas formalidades que têm valor intrínseco, se o portador não adquiriu as competências necessárias para desempenhar o seu papel profissional e de cidadania.

Indubitavelmente, as instituições de ensino precisam atuar como facilitadoras da aquisição de competências e, ao mesmo tempo, demonstrar ao estudante o grau de evolução educacional no decorrer do curso de estudos. Não basta ensinar e emitir diplomas, é preciso comprovar os resultados educacionais. Esse é o maior diferencial mercadológico que uma escola ou faculdade pode oferecer aos seus estudantes.

Qualquer investimento requer algum tipo de retorno

Hoje, as pessoas estão mais atentas e buscam resultados em tudo na vida. “Qualquer investimento requer algum tipo de retorno” – essa é a máxima utilizada pela sociedade moderna e não pode ser diferente quando se investe em educação. As instituições de ensino devem ficar alertas e focar no que interessa: oferecer ensino de qualidade com o menor custo possível.

Nesse contexto, vemos faculdades e escolas buscando campanhas de marketing que visam, a todo custo, mostrar e maximizar seus resultados acadêmicos e pedagógicos. São utilizadas diferentes estratégias, como a divulgação de notas das avaliações institucionais (Enem e Enade), veiculação de depoimentos de ex-alunos, resultados em concursos de redação, dentre outras formas de representar o sucesso da instituição de ensino. Assim, os resultados se tornam um produto de marketing, o qual é embalado numa campanha, com o objetivo de atrair mais alunos que, por sua vez, querem investir numa educação de resultados.

Em certa medida, essa parece ser a melhor estratégia de marketing, as pessoas realmente querem uma educação que gere resultados, que as torne indivíduos melhores e mais capacitados profissionalmente. Mas, e os resultados acadêmicos? Como melhorar? Afinal, antes de promover campanhas de marketing, é preciso obter bons resultados.

Assim, quando não há o que mostrar, na escassez de resultados, as escolas e faculdades minguam, a captação de alunos torna-se difícil e os resultados financeiros tendem a refletir o fracasso dos resultados acadêmicos.

Nesse cenário um tanto desolador, vejo uma luz no fim do túnel. Parece que algumas instituições de ensino brasileiras perceberam (nos últimos 5-10 anos) que, sem os resultados, a sustentabilidade financeira da instituição pode ficar comprometida e começaram a investir na melhoria do ensino, na capacitação de professores, em novas tecnologias educacionais e nos processos de gestão educacional.

Contudo, sem uma avaliação de estudantes metodologicamente qualificada, não é possível aferir a melhoria desses resultados ou, até mesmo, avaliar se o investimento na melhoria do ensino realmente está gerando ganhos acadêmicos.

Assim, o grande desafio das instituições de ensino encontra-se na melhoria dos processos de avaliação

Diante de tal constatação, vale ressaltar e fazer as seguintes perguntas:

  1. Como as instituições avaliam os resultados dos seus estudantes?
  2. A evolução educacional dos estudantes é aferida?
  3. O trabalho dos professores é devidamente avaliado?
  4. As lacunas de aprendizagem são detectadas no processo de avaliação?
  5. O material didático é avaliado no processo de avaliação de estudantes?
  6. Qual é o impacto financeiro de uma boa avaliação de estudantes?

Em suma, a avaliação de estudantes deve ser o foco da gestão acadêmica e financeira das escolas e faculdades. Vamos entender melhor e explicar como a avaliação de estudantes impacta na gestão escolar, respondendo a essas questões.

Como as instituições avaliam seus estudantes?

“A avaliação é um processo sistemático de coleta de evidências, com fim de determinar, se de fato, ocorreram modificações nos alunos, bem como determinar o grau dessas modificações em cada um deles”

Benjamin Bloom

O conceito de Benjamin Bloom é um bom ponto de partida para explicarmos a realidade das escolas e faculdades brasileiras, no que tange a metodologia de avaliação aplicada em nossos estudantes. Infelizmente, a falta de método parece ser uma realidade em nossas escolas. É comum verificarmos a aplicação de avaliações mal estruturadas, que não solicitam os objetivos de aprendizagem descritos nos planos de aula, não obstante a falta de articulação dos planos de ensino com a aula e o não cumprimento dos objetivos propostos pelos professores. Além disso, percebe-se a ausência de ferramentas tecnológicas eficientes de gestão e controle da avaliação de estudantes.

A avaliação de estudantes precisa ser sistemática e contínua, sendo capaz de aferir a evolução do aprendizado, de preferência em tempo real e possibilitando ações pedagógicas imediatas. Hoje, nós temos ferramentas tecnológicas que podem facilitar esse trabalho com muita eficiência e baixo custo.

A evolução educacional dos estudantes é aferida no processo de avaliação?

Em nossa experiência com a implantação da Plataforma Qstione em diversas instituições de ensino brasileiras, observamos que os sistemas de avaliação das instituições de ensino estão majoritariamente focados nos resultados parciais dos estudantes. Não existe articulação das avaliações atuais com as anteriores e/ou não se afere a evolução dos resultados obtidos pelos estudantes. Dessa forma, escolas e faculdades não têm como identificar se o aprendizado dos estudante está evoluindo e nem como medir o grau em que isso ocorre. Assim, sem essa capacidade, não é possível avaliar se as estratégias pedagógicas aplicadas aos estudantes são eficazes.

Uma das consequências desse modelo de avaliação, se aplica ao nível de percepção do estudante quanto ao seu aprendizado. Nesse contexto, a evolução do estudante torna-se imperceptível para ele e para os professores. Isso é contraproducente. Um estudante que não consegue visualizar os ganhos acadêmicos a partir dos resultados das avaliações se desmotiva na busca por melhores resultados.

As lacunas de aprendizagem são detectadas no processo de avaliação?

A baixa indexação das avaliações aos objetos de conhecimento e objetivos de aprendizagem, impossibilitam a identificação das lacunas de aprendizagem. Tais lacunas são resultantes da não abordagem de alguns desses objetivos no decorrer do curso. Isso ocorre por diversos motivos já mencionados no artigo Elaborando questões vinculadas aos objetivos de aprendizagem

Indexar os atributos de aprendizagem requer a implementação de ferramentas tecnológicas como a Plataforma Qstione. Sem a tecnologia, esse processo se torna lento e, em muitos casos, ineficaz.

O material didático é avaliado no processo de avaliação de estudantes?

Para responder a essa pergunta, podemos seguir a mesma lógica do tópico anterior: da mesma forma que indexamos os atributos de aprendizagem, podemos indexar a avaliação aos materiais didáticos. Assim, aferimos e inferimos quais são os materiais que estão gerando os melhores resultados. Essa metodologia permite avaliar individualmente, estudante a estudante, os resultados obtidos utilizando os diferentes tipos de materiais didáticos. Abordaremos esse tema com mais profundidade nos próximos artigos.

Qual é o impacto financeiro de uma boa avaliação de estudantes?

Analisando os custos fixos das instituições de ensino, observamos que a folha de pagamento dos professores continua sendo a maior despesa, apesar dos baixos salários praticados no Brasil. Diante disso, ao analisarmos o processo de gestão de algumas faculdade e escolas, verificamos que a gestão de carga horária de professores, a compra de materiais didáticos e a carga horária de disciplinas em muitos casos não leva em consideração os resultados das avaliações de estudantes. Tal fato, gera inconsistência de gestão organizacional e financeira. Alguns cursos apresentam excedente de carga horária e baixos resultados acadêmicos.

Investe-se mal porque o diagnóstico do problema não foi realizado levando em consideração os resultados dos estudantes.

Assim, é comum algumas disciplinas apresentarem excedente de carga horária e outras um déficit. Isso gera ineficiência e consequente aumento de custos com professores e infraestrutura.

Uma avaliação bem estruturada gera dados que norteiam o gestor educacional na tomada de decisão, indicando quais são as disciplinas que precisam de reforço, enxugando os excessos e reduzindo custos. Dessa forma, em muitos casos, é possível maximizar os resultados acadêmicos e reduzir custos.

É nossa missão fazer com que sua instituição de ensino avalie corretamente seus estudantes, de forma a gerar dados que vão impactar diretamente na gestão escolar.