Ensino

Passo a passo: como escolher as melhores tecnologias para sua escola?

Passo a passo: como escolher as melhores tecnologias para sua escola?

Se você concorda que algo está errado no planeta das novas tecnologias educacionais, indubitavelmente, você está lendo o artigo certo. Vamos debater sobre como escolher as melhores tecnologias para sua escola!

Atualmente, esta é a minha percepção sobre tudo que estou vendo e ouvindo no meio educacional. São dezenas de artigos, livros e opiniões convergindo para um único paradigma: a solução para todos os problemas educacionais está na implementação de novas tecnologias. 

Assim quando tratamos de um alto nível de desorganização pedagógica, a tal revolução tecnológica da educação emerge como um sopro de esperança para os desavisados. Nesse meio, fala-se de inteligência artificial, neurociência, visão computacional e sobre muitas outras tecnologias sensacionais. No entanto esquece-se, em muitos casos, de se fazer o “feijão com arroz”.

Não posso negar que tal pensamento simplista é atraente para mim. Já que estou envolvido diretamente nesta revolução tecnológica educacional por meio do nosso trabalho na Qstione. Por isso, em tese, eu seria um beneficiário direto deste paradigma vigente.

Contudo precisamos analisar friamente o contexto educacional em que vivemos e sermos honestos. Doravante vou discorrer sobre o referido tema, neste artigo.

O canto da sereia das tecnologias educacionais

Antes de tudo, quero deixar bem claro que eu sou um aficionado pela tecnologia e um apaixonado pela educação. Sendo assim, a minha opinião tende a apoiar o uso de diferentes tecnologias no processo educacional (leia mais neste artigo).

Contudo a nossa experiência na Qstione, implantando sistemas de avaliação em diferentes instituições de ensino pelo Brasil, nos fez concluir que a aplicação de novas tecnologias educacionais deve seguir critérios pedagógicos rígidos. Caso contrário, a tecnologia  implementada pode se tornar um fardo dentro do processo educacional. Isto é, com pouca ou nenhuma serventia no âmbito pedagógico.

A concepção de que a implementação de novas tecnologias, por si só, resolveria os nossos problemas educacionais ocasionou o surgimento de diversas práticas pedagógicas duvidosas. Tal concepção, em muitos casos, atrapalha. Pois nos impede de tentar resolver os problemas educacionais por meio de ações mais simples e diretas para buscar soluções complexas e pouco testadas na educação.

Por este motivo, na prática, os sistemas de educação estão se tornando mais dispendiosos e, por conseguinte, menos eficientes.

É preciso fazer o básico antes de implementar novas tecnologias

Para exemplificar, podemos mencionar o caso da falta de estruturação dos currículos escolares no Brasil. Neste caso, arrisco dizer que a grande maioria das escolas brasileiras trabalha sem uma estruturação curricular adequada.

Nossas escolas ensinam sem saber, ao certo, quais são os objetivos instrucionais a serem alcançados pelos estudantes. Em suma, não há metas de ensino-aprendizagem bem definidas.

Por conseguinte, estas escolas também não sabem muito bem o que deve ser avaliado em termos de aprendizado. Dessa forma, o ensino descamba para um subjetivismo improdutivo.

Nesse contexto, parece óbvio qual é a melhor solução! As escolas que não apresentam um currículo centrado em competências, com descritores bem definidos sobre os objetivos instrucionais, devem estruturá-lo por meio de ações pedagógicas organizacionais.

E a tecnologia pode até ajudar neste processo, mas, a priori, não é necessária a aplicação de novas tecnologias educacionais. Um currículo pode ser organizado, até mesmo, em uma simples planilha de Excel.

Tecnologia aliada à pedagogia

Na Qstione, pensamos sempre na dificuldade que escolas e faculdades enfrentam ao tentar construir sua própria matriz curricular. Por isso, desenvolvemos um sistema que ajuda os professores na construção de currículos escolares baseando-se na taxonomia da aprendizagem.

Este é um bom exemplo de tecnologia educacional aliada à pedagogia. O software nasceu a partir de uma demanda pedagógica real. 

Outro exemplo interessante é a aplicação de avaliações norteadas por tecnologias avançadas. Como os algoritmos de inteligência artificial ou princípios de neurotecnologia.

São tecnologias incríveis e sedutoras! Mas é preciso compreender o que é uma ferramenta de avaliação de estudantes de um modo geral. Trata-se de uma ferramenta de pesquisa que busca mimetizar a realidade para captar dados ou evidências de aprendizado estudante. No frigir dos ovos, tais ferramentas servem para coletar dados.

Assim, a construção de um bom modelo de avaliação de estudantes perpassa por cinco etapas principais:

  • (1) definição do método;
  • (2) elaboração da ferramenta avaliativa;
  • (3) aplicação da avaliação;
  • (4) análise dos dados e
  • (5) tomada de decisão.

Dessa forma, as instituições de ensino podem aplicar diferentes tecnologias em cada etapa do processo de avaliação. E, ainda, planejar as intervenções humanas que podem ser, eventualmente, necessárias ao processo.

Mas, antes, um alerta!

Apesar de termos muitas disponíveis, a escolha adequada dessas tecnologias, bem como a sua aplicação, podem demandar um alto nível de conhecimento e de estudo sobre o tema.

Logo, não adianta, por exemplo, utilizar tecnologias avançadas na etapa de análise de dados dos resultados da avaliação, se o modelo de aplicação não for eficiente. Nem, muito menos, se a elaboração dos itens não foi baseada nos objetivos instrucionais. Isso nos levaria a uma análise de dados (possivelmente) tecnicamente perfeita, porém, realizada sobre dados não confiáveis.

Na prática, as etapas do processo avaliativo são interdependentes e, por isso, as tecnologias aplicadas podem afetar o resultado da avaliação como um todo.

Infelizmente, nem todos compreendem a complexidade envolvida no processo de avaliação. Por isso, algumas instituições de ensino depositam todas as suas fichas em processos simplificados. Isto é, aqueles que utilizam tecnologias “milagrosas” para solucionar todas as demandas da avaliação de estudantes.

Vale salientar que, na educação, grande parte dos processos operacionais e pedagógicos é interdependente. Esta característica aumenta significativamente a complexidade de gestão dos processos educacionais. Consequentemente, dificulta a escolha e implementação de novas tecnologias.

Eis a grande questão a ser considerada pelas empresas de tecnologia educacional: é preciso compreender todo o processo educacional. Principalmente, antes de propor intervenções pontuais por meio de tecnologias educacionais. 

Em resumo, pode-se concluir que a escolha da tecnologia, a sua forma de aplicação e a capacitação dos educadores são aspectos fundamentais para utilização eficiente das ferramentas tecnológicas disponíveis no mercado. O uso da tecnologia na educação depende intrinsecamente da adequação dos processos educacionais à tecnologia a ser implementada. Por isso, é tão importante saber escolher as melhores tecnologias para sua escola.

Cuidado com a propaganda enganosa

Hoje, temos ferramentas tecnológicas que prometem resolver quase tudo no âmbito educacional, porém nem tudo são rosas. Ao analisar muitas ferramentas e empresas de tecnologia educacional, percebo que grande parte destas promessas é vazia. Poucas empresas de tecnologia educacional entregam o que prometem.

Nesse contexto, penso que a maioria dessas empresas desenvolve tecnologias sem compreender profundamente os aspectos pedagógicos envolvidos. O resultado final disto é problemático. Temos uma oferta enorme de produtos tecnológicos com aplicabilidade limitada ou sem serventia alguma.

Por outro lado, nas instituições de ensino, podemos ter gestores educacionais despreparados para análise, seleção e aplicação dessas tecnologias. E a propaganda enganosa, promovida por algumas empresas do setor, pode ludibriá-los. Isso ocasiona perda de tempo e recursos preciosos.

Criei, então, um “passo a passo” com algumas dicas importantes que os gestores educacionais devem seguir, antes de escolher qualquer ferramenta de tecnologia educacional.

Passo a passo: como escolher as melhores tecnologias para sua escola

  1. Procure identificar com clareza quais as necessidades da sua instituição. Reflita: como a aplicação de tecnologias pode melhorar os processos educacionais?;
  2. Identifique quais são as empresas que podem oferecer as tecnologias que a sua instituição de ensino precisa;
  3. Converse com as empresas e verifique se elas têm um setor pedagógico capaz de compreender o problema enfrentado por sua instituição de ensino. Se a empresa ofertante não consegue compreender o problema, com certeza, o serviço oferecido por ela não será capaz de te ajudar;
  4. Considere a possibilidade de contratar um consultor da área. Há alguns nomes sérios atuando no Brasil;
  5. Entre em contato com os clientes destas empresas e verifique a qualidade do serviço prestado;
  6. Considere solicitar um período de teste da tecnologia;
  7. Verifique se a empresa fornece serviços de suporte e capacitação para a sua equipe. A ferramenta tecnológica em si, geralmente, não faz a tarefa sozinha. O sucesso da aplicação depende da interação entre a tecnologia e os profissionais da sua instituição de ensino. Se for o caso, considere adquirir o serviço completo. Inclua o suporte e a capacitação da sua equipe;
  8. Lembre-se: a implementação de qualquer tecnologia educacional demanda algumas mudanças de hábitos e de procedimentos internos. Portanto esteja preparado para, inicialmente, sair da zona de conforto. E também para adequar todos os processos internos ao fluxo que a própria tecnologia adquirida induz.

Em suma, qualquer tecnologia educacional implementada pode promover, em algum grau, uma mudança de cultura operacional e/ou pedagógica. É o caso da plataforma Qstione. A escolas e faculdades que adotam a Qstione mudam positivamente a sua cultura avaliativa. Portanto esta deve ser a essência de uma boa ferramenta tecnológica educacional.

E aí? Está pronto para escolher as melhores tecnologias para sua escola?

Até o próximo artigo!