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Os 4 principais erros da avaliação de estudantes

4 principais erros da avaliação de estudantes

Se você é um gestor educacional ou professor, leia este artigo para saber quais são os 4 principais erros da avaliação de estudantes.

A avaliação dos estudantes deve fazer parte do processo normal de aprendizado, pois se trata de uma etapa formativa e de diagnóstico do estudante. Seu resultado deve embasar o planejamento pedagógico e administrativo da instituição de ensino. Por isso, é uma parte essencial da vida e rotina escolar.

Contudo, infelizmente, para muitas instituições de ensino, a avaliação se tornou um fardo. Um tipo de processo em que ninguém sai satisfeito. Nem o professor e, muito menos, o estudante.

Decerto, se refletirmos um pouco sobre o tema, logo percebemos que o ato de avaliar e ser avaliado deveria ser o momento mais esperado do processo ensino-aprendizagem. Em tese, é neste momento que os estudantes e professores vão descobrir quais foram os resultados dos seus esforços.

Ora, de uma forma geral e do ponto de vista individual, identificar se os objetivos pessoais estão sendo atingidos é sempre algo importante para vida de qualquer pessoa. E quando se descobre que o objetivo perseguido foi atingido, aí, além de importante, é geralmente prazeroso.

Mas, o que observamos, em muitas escolas e faculdades, é algo completamente diferente. Parece que a avaliação de estudantes traz à tona apenas conflitos e desacordos entre professores e discentes. Nesse contexto, muitos docentes relatam que a relação com os estudantes começa a piorar justamente no período da avaliação. Qual seria o motivo disso?

Neste artigo, vamos relatar os 4 principais erros da avaliação de estudantes, cometidos por instituições de ensino e por professores, especialmente durante a concepção e aplicação das avaliações. Além de sugerir eventuais soluções para sanar tais problemas.

Erro número 1: Ausência ou falta de estruturação do currículo

Não adianta adquirir as tecnologias educacionais mais modernas em avaliação de estudantes e não ter um currículo corretamente estruturado. Isto seria um contrassenso, pois a estruturação da avaliação começa pela definição e delineamento pedagógico dos objetivos instrucionais (leia mais sobre esse tema aqui). O objeto da avaliação está descrito no currículo escolar. Portanto, sem os descritores de objetivos de aprendizagem, simplesmente não há o que ser avaliado.

Como disse no texto O caos do sistema educacional brasileiro: […] “sem objetivos de aprendizagem e competências norteadoras bem definidas, nossa educação segue cambaleando em um labirinto de estratégias de ensino que não nos leva a lugar algum.”

Infelizmente, no Brasil, nas últimas décadas, a estruturação do currículo não foi devidamente priorizada nos âmbitos dos órgãos governamentais e nas instituições de ensino. Resumidamente, grande parte das nossas instituições de ensino entraram em uma espiral de subjetividade na avaliação de estudantes, com a qual os resultados das avaliações são usados apenas para cumprir as demandas administrativas das instituições de ensino. Isto é, a avaliação perdeu o seu “brilho” pedagógico.

Contextualização sobre a capacitação dos professores

A fim de entender o problema, peço licença para fazer uma breve contextualização da realidade educacional brasileira no que tange à preparação pedagógica dos nossos professores. Vamos entender como anda a capacitação dos nossos professores?

Sem dúvida, a falta de capacitação dos professores brasileiros é um dos maiores entraves da nossa educação. Nossos programas de pós-graduação, em grande parte dos casos, não preparam os professores para os desafios pedagógicos exigidos nas salas de aulas; e, muito menos, para implementação adequada dos métodos de avaliação dos estudantes.

Nesse ínterim, como exemplo disso, em 2008, uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, relatou que o currículo do curso de pedagogia era deficitário. E, infelizmente, de lá para cá, esse currículo avançou muito pouco. Para piorar a situação, praticamente não temos programas de capacitação de professores de primeira entrada. Dessa forma, os professores inexperientes, muitas vezes, enfrentam sozinhos os desafios iniciais das primeiras aulas.

Nesse contexto educacional, os nossos professores são praticamente autodidatas. Esses professores, com pouquíssimo suporte, enfrentam os mais difíceis desafios pedagógicos, dentre os quais, provavelmente, a avaliação de estudantes se enquadra como um dos mais complexos.

Agora, após essa contextualização, vamos entender o problema da escolha do método de avaliação de estudantes.

Erro 2: Não fazer uma escolha técnica do método de avaliação.

De antemão, avaliar significa coletar informações e evidências sobre a evolução dos resultados dos estudantes para formar um juízo de valor no decorrer do tempo. Segundo Benjamin S. Bloom: “A avaliação é um processo sistemático de coleta de evidências, com fim de determinar, se de fato, ocorreram modificações nos alunos, bem como determinar o grau dessas modificações em cada um deles.”

Para coletar tais informações e evidências, é preciso utilizar protocolos de coleta de dados. Contudo, cada modelo de avaliação coleta tipos diferentes de dados e informações. Assim, exemplificando, as provas são protocolos de coleta de informações e dados sobre as habilidades cognitivas dos estudantes. Já as avaliações práticas, como o Objective Structured Clinical Examination (OSCE), podem coletar dados relacionados às habilidades psicomotoras, cognitivas e socioemocionais dos estudantes.

Por isso, a escolha deve considerar o que se quer avaliar. E, além disso, é preciso estruturar o modelo escolhido, adequando-o às necessidades específicas de cada avaliação. Em suma, não se pode escolher um modelo avaliativo de forma aleatória ou pensando apenas em aspectos administrativos. A pedagogia deve reger essa escolha. Caso contrário, teremos uma coleta de informações desencontrada e/ou com baixo grau de fidedignidade.

Por fim, nossos professores e gestores educacionais precisam estar capacitados para, de forma autônoma, avaliar e escolher os melhores métodos avaliativos para cada situação, bem como estruturá-los de acordo com as boas práticas pedagógicas.

Erro 3: Fomentar uma cultura avaliativa focada em resultados episódicos

Definitivamente, outro problema emblemático da avaliação de estudantes, reside na cultura avaliativa dos nossos professores e estudantes. Para boa parte da comunidade acadêmica brasileira, a avaliação deve ser algo esporádico e episódico. Avalia-se o resultado isolado e se esquece de avaliar a evolução do conjunto de resultados do estudante. Este é um problema grave!

Pense comigo, o que é mais importante: o resultado isolado de uma avaliação, ou o nível de evolução do estudante no decorrer da aplicação de diversas ferramentas avaliativas? Do ponto de vista da aferição dos resultados acadêmicos, o mais importante é identificar o quanto os estudantes evoluíram e quais são as principais lacunas de aprendizagem em um determinado período. Por isso, a análise de resultados isolados tem pouco significado pedagógico.

Infelizmente, nossos gestores educacionais e professores ainda estão muito focados na análise de resultados isolados. Isso atrapalha também a estruturação dos modelos de avaliação, pois esses gestores educacionais acabam priorizando a avaliação esporádica, pouco sistematizada e desarticulada dos processos pedagógicos. Precisamos mudar essa cultura avaliava, urgentemente!

Erro 04: Falta de articulação do processo de avaliação

Por fim, um dos maiores erros das instituições de ensino, que ocorre em vários níveis, é a falta de articulação do processo avaliativo.

As avaliações de estudantes, em muitos casos, não são articuladas entre si. Isto é, os resultados das avaliações cognitivas não complementam os resultados das avaliações psicomotoras e socioemocionais e vice-versa. É como se o aluno fosse um ser segmentado nas dimensões de inteligência emocional, cognitiva e psicomotora. Essa visão não holística e desconectada atrapalha o entendimento das reais dificuldades dos estudantes.

Adicionalmente, as avaliações, em alguns casos, não estão articuladas com o currículo. Isso torna qualquer ferramenta avaliativa menos eficiente, pois, neste caso, o objeto da avaliação inexiste. O processo de avaliação precisa ser sistematizado, articulado, cumulativo e continuado (leia mais sobre aqui).

Diante de tudo o que conversamos neste artigo, ressaltamos que o nosso trabalho na Qstione vai muito além da implementação de tecnologias educacionais norteadoras da avaliação de estudantes. Nós ajudamos instituições de ensino a não cometerem os erros citados e atuamos como verdadeiros parceiros em busca da melhoria dos processos educacionais. Agende uma apresentação e conheça o nosso trabalho.

Até o próximo artigo!