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Vantagens e Desvantagens das Provas On-line

A educação brasileira vive momentos extemporâneos com o surgimento de ideias e métodos que aparecem como salvadores da pedagogia e desaparecem como fumaça, mas não poderia ser diferente quando falamos especificamente de tecnologias educacionais. Muitas tecnologias são apresentadas como se elas resolvessem todos os problemas educacionais por si só. Isso não é de hoje. Esses movimentos educacionais ocorrem há décadas.

Entre essas tecnologias inovadoras e salvadoras, surge a avaliação on-line. O MEC deu um belo empurrãozinho ao anunciar que o Enem e o Revalida passarão a utilizar tal tecnologia. Sim, é inegável o poder influenciador do MEC, pois o ensino no Brasil é totalmente centralizado e praticamente todas as diretrizes são norteadas por órgãos governamentais ligados diretamente ou indiretamente ao MEC. Dessa forma, as instituições de ensino brasileiras não podem simplesmente ignorar tais mudanças metodológicas.

Levando-se em consideração esse “pano de fundo”, vamos desmistificar a utilização das avaliações on-line, colocando claramente as suas reais vantagens e desvantagens na avaliação do aprendizado de estudantes, mas também considerando os aspectos logísticos e econômicos para utilização de tal tecnologia.

O primeiro aspecto que precisa ser abordado é o tipo de tecnologia a ser utilizada na aplicação das avaliações. Há uma infinidade de possibilidades no mercado, e todas apresentam algum tipo de limitação. A princípio, a pergunta crucial a ser feita pelos profissionais da educação é: algum modelo de avaliação on-line substitui as tradicionais avaliações impressas?

A minha resposta é: NÃO!

Antes que os mais progressistas da educação me critiquem — quero dizer que sou um grande aficcionado por novas tecnologias educacionais — mas é preciso mais ceticismo quanto ao seu uso e, principalmente, quanto as limitações de cada tecnologia. Mas, para justificar a minha afirmação, eu sugiro a leitura de um outro artigo escrito por mim, intitulado: Escrever à mão ou teclar (Clique aqui para ler).

Em resumo: os mecanismos cognitivos cerebrais utilizados pelos estudantes na resolução de questões em provas impressas são bem diferentes dos mecanismos usados na prova on-line.

Isso significa que os estímulos são bem diferentes e que, em tese, um modelo não poderia ser utilizado para substituir outro, já que são exigidos processos mentais diversos. Essa afirmação é ainda mais contundente quando falamos do ensino infantil.

Mas, quais são as reais vantagens da avaliação on-line?

  • Possibilidade de utilizar diferentes tipos de mídia na avaliação (áudio, vídeo, etc);
  • Aplicar modelos de itens que são inviáveis na prova impressa (clicar e arrastar textos e imagens, entre outros);
  • Aplicação de tecnologias que agilizem a correção de itens discursivos e/ou de resposta curta;
  • Avaliar algumas habilidades mais complexas, as quais não seria possível na avaliação impressa.

Você, ao ler um número tão resumido de vantagens, pode estar pensando:

  • Não é mais barato aplicar avaliações on-line?
  • A correção das avaliações não é mais rápida na prova on-line?
  • A análise de dados não é mais eficiente?

A resposta é: NÃO!

A aplicação segura de avaliações on-line, inegavelmente, requer investimento em infraestrutura (redundância de internet, tablets, equipe de suporte, etc.). Por isso, em boa parte dos casos, a avaliação impressa ainda é mais econômica e sustentável para a instituição de ensino.

Para compararmos a agilidade de correção das avaliações entre os 2 métodos, precisamos considerar diversos fatores, como os modelos itens utilizados e qual tecnologia está sendo utilizada na geração das avaliações impressas. Sem dúvida, com tecnologias como as desenvolvidas pela Qstione, a aplicação de avaliações impressas se tornou mais econômica, mais segura, de correção rápida e análise de dados eficiente.

Em suma, a avaliação on-line não substitui a avaliação impressa, dessa forma as instituições que optam pela substituição, devem ponderar as eventuais perdas do processo avaliativo, principalmente, tratando-se do ensino infantil.

As tecnologias de aplicação de avaliação on-line são muito diversas, portanto, a escolha deve ser criteriosa, caso contrário, a instituição de ensino pode adquirir uma tecnologia que apenas transpõem os itens que poderiam ser aplicados normalmente nas avaliações impressas para ferramenta on-line e, portanto, não obter nenhum ganho logístico ou pedagógico importante.

Então, o que fazer?

Assim, a minha sugestão é que as instituições de ensino busquem trabalhar com os 2 modelos de avaliação.

Dessa forma, será possível ampliar o escopo de habilidades solicitadas nas avaliações, mantendo os benefícios cognitivos do desenvolvimento do raciocínio pelo estudante utilizando o papel, e trabalhando diferentes mídias nas avaliações on-line.

Novas tecnologias devem ser vistas, ao mesmo tempo, com entusiasmo e ceticismo. Lembre-se, uma boa avaliação do aprendizado depende prioritariamente da estruturação pedagógica dos objetivos de aprendizagem. Assim, priorize tecnologias que facilitam a estruturação pedagógica das avaliações.

Até o próximo artigo!